domingo, 18 de abril de 2010

Estranha ocupação: dançando o não dançável


Por Fernanda Rezek


Tem um lugar nos meus sonhos, dormindo ou acordada; eu acho que é entre Brasília e Goiás. Eu passo lá umas duas vezes por semana. Namoro os ipês coloridos, a languidez do lago pequeno, e o vento forte, que derrama sobre tudo, um arco-íris das pétalas desses ipês. É perfeito pra essa prática. A de dançar embaixo das árvores com a música que ocupar a sua cabeça. Você pode escolher a canção. Os cronópios deixam que ela apareça. Fazem quinze segundos de silêncio, ouvem o barulho do vento, o lago calado, e tanananananan (Stand by Me); a música começa. É inexorável. O corpo começa a se mexer, os braços correm pro alto da cabeça, o quadril pra lá e pra cá, os olhos se cerram, e os lábios não resistem à plenitude; sorriem. A melhor providência é se jogar. Quando se sente a brisa esfriar os poros, os braços soltos no ar, e o movimento inevitável do corpo inteiro; a mente se expande; e o volume da sua música vai aumentando inebriantemente. Você pode fazer isso sozinho, acompanhado, pode fazer com alguém que você gostaria tanto que estivesse lá, que acaba, dentro da sua alma, estando. SINTA O RITMO DA SUA MÚSICA. Não siga. Dobra os joelhos e desce até o chão (tipo Cora Coradinha, ou não), faça passos de bailarina, seja uma, balança a cabeça com força até sentir cada fio de cabelo. Estale os dedos. Cronópios, famas e esperanças, a experiência é indelével, e, como Cortázar adoraria que fosse; surreal.

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