domingo, 28 de novembro de 2010

Dilema



Por Fernanda Rezek


Se eu pudesse escolher
entre amar e não sofrer,
escolheria amar.

A paixão preenche a gente,
mexe o espírito descontente,
incendeia a mente sã.

Como num rito solene,
se entranha na alma,
estremece o mundo inteiro,
e faz tudo em cores fortes.

A masmorra dos sentidos;
bebe toda energia
num descompasso indecente;
tempestade visceral.

A razão se descompensa,
o corpo inteiro queima inquieto;
mesmerismo de ilusões.

O caos é disciplinado,
a corda bamba é segura,
e o gelo arde em chamas,
frente às sísmicas paixões.

Deusa de ais desesperados,
escraviza com prazer,
embebeda sem perdão.

Súditos da volúpia,
nos rendemos, indefesos,
ao enigma freudiano.

O maior desastre humano,
o mais poderoso veneno,
a certeira picada letal,
o infortúnio do sucesso.

Mas, se eu pudesse escolher
entre amar ou viver...
escolheria amar.

Ao meu pai; a pessoa mais apaixonada que eu já conheci nessa existência; pelo mundo, pela vida, pela família, pelas próprias paixões.

4 comentários:

  1. Muito lindo, Fernanda! Que seu pai continue sempre apaixonado. E que nós também continuemos. (: Parabéns.

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  2. Ai Fê, que liiindo... Não sabia que poetava! Morri!!!
    Bjs,
    Cláudia Helena

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