quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Desabafo, ou, Poética de mais pro direito



por Jordana Ribeiro

publicado originalmente em


Sei que há a possibilidade (necessária) de unir as duas coisas – já vi com os meus próprios olhos! - mas guardo um bloqueio particular com o juridiquês. É bem assim: só de ler lei já esqueço de rima, puf! Se foram...



Cercaram minha rima, meus sonhos e minha criatividade. Arrancaram meus trapos e chamaram um alfaiate para me vestir.
Me colocaram sutien, alisaram meu cabelo e pior, cortaram meus dreads.
Proibiram meus pés descalços e todas as mentes viajantes.

Disseram que bunda com o formato da cadeira é última moda, e que eu deveria aderir logo (pra não perder as últimas cadeiras em promoção no cursinho da esquina).
Me ensinaram que a justiça é um termo “que depende”.
Que depende de quem o judiciário é mais amigo.

Mostraram-me que a academia poderia ser um refúgio quando eu quisesse fugir um pouco dos normativismos.
Só não me contaram que eu só poderia pensar conforme correntes teóricas preexistentes.

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