O cadarço é solto com uma única agachada. Os
dois ao mesmo tempo. Agora é só passar a ponta do pé no calcanhar direito,
depois no esquerdo, ou vice-versa. Mas as meias não podem ser tiradas ao mesmo
tempo! E nem faz diferença qual se tira primeiro. É só tirar. Almas sem pressa,
vão dançando nas vísceras, enquanto com a ponta dos dedos, os botões se desencaixam,
da esquerda para direita.
Conflito se dá mesmo, ao tirar os panos
minúsculos e antipáticos, é quando a tia beata segura a alma sedenta por
liberdade. Corra para o banheiro, tome uma ducha. De cabeça. Da cabeça aos pés.
E sinta: A água fresca descendo o couro ensolarado. Não tem tia que segure uma
alma sedenta por frescor. Ela sai naquele suspiro que se faz com os lábios.
Assoprando a água com a boca semi aberta.
A liberdade merece
ser dançada. Braços erguidos para que o molhado percorra os sovacos. A cabeça
deve ser virada lentamente: boca,
pescoço e peitos molhados, mamilos duros. Dedos frios e mamilos duros. Umbigo
fundo. Mão leve. Caricias incisivas. Toque forte e continuo. Give me a reason! São as palavras que
normalmente são proferidas com sabor, pela boca molhada de prazer. Prazer de não precisar de uma boa razão pra ser o que se é.