domingo, 13 de novembro de 2011

Locais do Encontro



Programação do III Encontro Internacional da Casa Warat
Locais

Dia 12 
18h – recepção
Restaurante Dali

Dia 13
15h - dinâmica de abertura - Igreja do Rosário

Facilitadores: Marta Gama e Leopoldo Fidyka
19h – Mesa redonda: Desafios do pensamento Waratiano – Padaria Moinho do Trigo

Facilitador: André Copetti

Dia 14
10h - Compartilhando cartografias: um espaço carnavalizado de troca de experiências – Espaço Vila Esperança
Facilitadores: André Copetti e Leopoldo Fidyka (a confirmar)
Apresentações de experiências waratianas
15h - Café Filosófico: “Cortazar, João Cabral de Melo Neto e Warat: antropofagia e impossibilidades” – Bodega Fantástica
Facilitador: Albano Bastos Pepe
21:30h – Sarau – Igreja Santa Bárbara
Tema: Waratiano, qual sua sina?
Livro inspiração: “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto

Dia 15
11h - balanço do movimento e do encontro Casa Warat -(ainda não especificado)





Obs.: Locais e horários podem se alterar com o decorrer das conversas e dos sentimentos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Morte e Vida Severina (de todos os dias)

Bom dia leitores! 

Começará hoje o III Encontro Internacional do Movimento Casa Warat e, nesses próximos três dias, estaremos imersos em uma experiência sensível e surreal nos Reinos de Goiás*. Serão quentes e doces as manhãs na Vila Boa, serão noites e chuvas as luas daqui, seremos os versos do nosso Elogio à Loucura.

Para ilustrar esses dias, segue a contribuição do querido Alison Cleiton** para o Sarau Mentes Livres, que acontecerá durante o encontro. O Sarau será tematizado pelo poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Nos vemos nesses dias, nos becos de Goiás,

Jordana.

* Reinos de Goiás é o nome de uma coletânea de poemas de Cora Coralina.
** Alison Cleiton é professor do curso de Serviço Social na UFG/campus Goiás, nordestino, forrozeiro e amigo da Casa Warat Goiás.




Morte e Vida Severina de todos os dias!
João Cabral de Melo Neto



"Os Retirantes", Cândido Portinari


Essa cova em que estás,  
com palmos medida,  
é a cota menor  
que tiraste em vida.  

Estima-se que os países ricos controlam mais de 80% do rendimento global, sendo que os países de desenvolvimento tardio do hemisfério sul que absorvem 58% dos habitantes da terra, não chegam a 5% da renda total ( Melo, 2008).  Quanto severinos consegue um palmo de terra só após a sua morte. Devastador ver  uma sociedade que privilegia as coisas em detrimento das necessidades sociais da maioria.

É de bom tamanho,  
nem largo nem fundo,  
é a parte que te cabe   
neste latifúndio.   

Os 447 bilionários que há no mundo possuem conjuntamente a renda somada de cerca de 2,8 bilhões de pessoas.

Não é cova grande.  
é cova medida,  
é a terra que querias  
ver dividida.

Os indivíduos que residem nas populares “favelas” são nos países desenvolvidos 6% da população urbana, enquanto nos países menos desenvolvidos atingem 78,2% dos habitantes urbanos. Em 46 países o povo está mais pobre hoje do que em 1990. Em 25 países há mais gente faminta hoje do que há uma década

É uma cova grande  
para teu pouco defunto,  
mas estarás mais ancho  
que estavas no mundo. 
é uma cova grande  
para teu defunto parco,  
porém mais que no mundo  
te sentirás largo.   
é uma cova grande  
para tua carne pouca,  
mas a terra dada  
não se abre a boca.  

Das 20,6 milhões de crianças com idade até 6 anos (11% da população), 11,5 milhões vivem em famílias com renda mensal per capita inferior a meio salário mínimo, sendo que mais da metade é negra. Cerca  835 mil jovens deixaram o campo no período de dez anos. Um milhão e duzentas crianças são mercantilizadas pelo tráfico de seres humanos. Cerca de 4,5 milhões de pessoas com idade entre 5 e 17 anos trabalham no Brasil.

 (...)

E não há melhor resposta  
que o espetáculo da vida:  
vê-la desfiar seu fio,  
que também se chama vida,  
ver a fábrica que ela mesma,  
teimosamente, se fabrica,  
vê-la brotar como há pouco   
em nova vida explodida  
mesmo quando é assim pequena  
a explosão, como a ocorrida  
como a de há pouco, franzina  
mesmo quando é a explosão  
de uma vida severina.

O tempo presente nos interpela, sobretudo por que essa vida Severina se torna a cada dia mais Severina. Não por acaso, cresce a indignação, a luta e resistência ao sistema produtor de desigualdades sociais. A primavera dos povos, as lutas no campo e na cidade são expressões do espetáculo da vida, construindo “um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” (Rosa Luxemburgo).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Goiás, aí vamos nós...

Dia 12 começará o III Encontro Internacional do Movimento Casa Warat...






promete!


Aos indecisos, ainda dá tempo. É só correr para o aeroporto, rodoviária, rodovia ou pegar a "bike"...








Dia 12 
18h - recepção

Dia 13
11h - (livro)
15h - dinâmica de abertura
19 – Mesa redonda: Desafios do pensamento Waratiano

Dia 14
10h - Compartilhando cartografias: um espaço carnavalizado de troca de experiência
15h - Café Filosófico
20h - Sarau

Dia 15
11h - balanço do movimento Casa Warat

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Still I rise ...


    Imagem retirada do filme "Flor do Deserto" que trata da circuncisão das mulheres  somalis na África.


    Você pode me riscar da História 
    Com mentiras lançadas ao ar. 
    Pode me jogar contra o chão de terra, 
    Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.  

    Minha presença o incomoda? 
    Por que meu brilho o intimida? 
    Porque eu caminho como quem possui 
    Riquezas dignas do grego Midas.  

    Como a lua e como o sol no céu, 
    Com a certeza da onda no mar, 
    Como a esperança emergindo na desgraça, 
    Assim eu vou me levantar.  

    Você não queria me ver quebrada? 
    Cabeça curvada e olhos para o chão? 
    Ombros caídos como as lágrimas, 
    Minh'alma enfraquecida pela solidão?  

    Meu orgulho o ofende? 
    Tenho certeza que sim 
    Porque eu rio como quem possui 
    Ouros escondidos em mim.  

    Pode me atirar palavras afiadas, 
    Dilacerar-me com seu olhar, 
    Você pode me matar em nome do ódio, 
    Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar. 
     
     
    Minha sensualidade incomoda? 
    Será que você se pergunta 
    Porquê eu danço como se tivesse 
    Um diamante onde as coxas se juntam?  

    Da favela, da humilhação imposta pela cor 
    Eu me levanto 
    De um passado enraizado na dor 
    Eu me levanto 
    Sou um oceano negro, profundo na fé, 
    Crescendo e expandindo-se como a maré.  

    Deixando para trás noites de terror e atrocidade 
    Eu me levanto 
    Em direção a um novo dia de intensa claridade 
    Eu me levanto 
    Trazendo comigo o dom de meus antepassados, 
    Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado. 
    E assim, eu me levanto 

    Eu me levanto 
    Eu me levanto. 
     
          
                 Maya Angelou.

Bem pessoal, minha primeira publicação! Antes tarde do que nunca né? Eu coloquei esse poema por ser o meu favorito. E ele é meu favorito por tratar da questão da escravidão. A autora é uma das maiores militantes dos Direitos Civis nos Estados Unidos, grande poetisa, autora de livros e produtora de filmes. Uma mulher com uma história de vida cercada de superação tanto no aspecto pessoal quanto no social visto que ela viveu toda a luta travada pelos negros norte americanos nas décadas de 40, 50, 60 e, convenhamos, até hoje. Com relação à imagem só um comentário: Assistam o filme! É maravilhoso.

Até a próxima, breve próxima!

Thalita Monteiro



domingo, 6 de novembro de 2011

Estas mãos


Olha para estas mãos
de mulher roceira,
esforçadas mãos cavouqueiras.

Pesadas, de falanges curtas,
sem trato e sem carinho.
Ossudas e grosseiras.

Mãos que jamais calçaram luvas.
Nunca para elas o brilho dos anéis.
Minha pequenina aliança.
Um dia o chamado heróico emocionante:
– Dei Ouro para o Bem de São Paulo.

Mãos que varreram e cozinharam.
Lavaram e estenderam
roupas nos varais.
Pouparam e remendaram.
Mãos domésticas e remendonas.

Íntimas da economia,
do arroz e do feijão
da sua casa.
Do tacho de cobre.
Da panela de barro.
Da acha de lenha.
Da cinza da fornalha.
Que encestavam o velho barreleiro
e faziam sabão.

Minhas mãos doceiras...
Jamais ociosas.
Fecundas, imensas e ocupadas.
Mãos laboriosas.
Abertas sempre para dar, ajudar,
unir e abençoar.

Mãos de semeador afeitas
à sementeira do trabalho.
Minhas mãos raízes
procurando a terra.

Semeando sempre.
Jamais para elas
os júbilos da colheita.

Mãos tenazes e obtusas,
feridas na remoção de pedras e tropeços,
quebrando as arestas da vida.
Mãos alavancas
na escava de construções inconclusas.

Mãos pequenas e curtas de mulher
que nunca encontrou nada na vida.
Caminheira de uma longa estrada.
Sempre a caminhar.
Sozinha a procurar,
o ângulo perdido, a pedra rejeitada.

Cora Coralina

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mãos de Tudo

Em homenagem ao Sarau do dia 22/10/11...

Mãos
que afagam e machucam
que trabalham e que furtam
para as vezes alimentar

Mãos
que muitas vezes revelam sentimentos, acalmam lamentos e curam feridas.
Que nos servem de enxada, fazem carícias safadas e se entrelaçam redimidas.

Ah, mãos!
quanta coisa fazem e quantas emoções trazem
regam, colhem, plantam, constroem, destroem...
tocam corações e instrumentos
fazem casas cobrindo o relento
e apaixonam-se por outras mãos, para que juntas possam caminhar e curar-lhes os lamentos.


Nádia Alves Pinheiro

Imagem retirada de: http://littlewolfblog.com/tag/hands/

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Antro-pó-fagia amburguesia com cocaína


Candy-balistik



"… não me recordo onde dormi na noite passada. Adormeci perdido da memória numa casa de madeira velha, e tudo o que ficou encontrei quando me despertei. Não era na casa que se acordava, mas de um sonho que não deixava de termina de ser…um peso desde o telhado pousava no penteado deste, o bastante inclinado.Nas noites das bravas nevadas a inclinação daquelas plataformas eram de um jovem alto esguio e de harmonia nórdica e pálida. Entre as pernas e sentado na retrete ao fundo de um espaço também ele estreito, coloquei entre estas um livro invertido sobre a história ácida de um Rei tartamudo e uma Melusina. A inversão da história tinha-me surpreendido com um raiar do dia entre as pernas." [...]



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Antropofagia Social

Operários - Tarsila do Amaral



Faça-me um favor:
Engula esse livro.

Agora, faça-me outro favor:
Vomite-o nesse texto.

Se não for pedir muito,
Preciso de um novo favor.

Engula essa sociedade
E vomite-a melhor, por clamor.




Jordana Ribeiro de Ávila

sábado, 1 de outubro de 2011

“III ENCONTRO INTERNACIONAL DO MOVIMENTO CASA WARAT”: ENVIO DE RESUMOS

A atividade "Compartilhando cartografias: um espaço carnavalizado de troca de experiências", que ocorrerá no dia 14 de novembro, às 10h, será, também, um momento para a apresentação de comunicações.
A proposta é que os participantes apresentem experiências que vêm desenvolvendo e que consideram inspiradas pelas ideias waratianas, sejam tais práticas ligadas ao ensino do Direito, à pesquisa, à extensão ou ao cotidiano das profissões jurídicas.
Não é necessário que a experiência compartilhada integre o núcleo de atividades já realizadas pela Casa Warat. O que se pretende é, justamente, possibilitar a divulgação de toda e qualquer prática influenciada pela obra de Luis Alberto Warat, permitindo-se, com isso, a aproximação de pessoas que possuem afinidade com o pensamento waratiano, bem como o compartilhar de ideias, dos percursos realizados e dos resultados alcançados.
Os interessados em participar deverão enviar resumos das comunicações.
Data-limite para o envio de resumos: 10 de novembro de 2011
A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, sede do encontro, emitirá certificado.
Os resumos podem ser enviados para: