domingo, 28 de novembro de 2010

Dilema



Por Fernanda Rezek


Se eu pudesse escolher
entre amar e não sofrer,
escolheria amar.

A paixão preenche a gente,
mexe o espírito descontente,
incendeia a mente sã.

Como num rito solene,
se entranha na alma,
estremece o mundo inteiro,
e faz tudo em cores fortes.

A masmorra dos sentidos;
bebe toda energia
num descompasso indecente;
tempestade visceral.

A razão se descompensa,
o corpo inteiro queima inquieto;
mesmerismo de ilusões.

O caos é disciplinado,
a corda bamba é segura,
e o gelo arde em chamas,
frente às sísmicas paixões.

Deusa de ais desesperados,
escraviza com prazer,
embebeda sem perdão.

Súditos da volúpia,
nos rendemos, indefesos,
ao enigma freudiano.

O maior desastre humano,
o mais poderoso veneno,
a certeira picada letal,
o infortúnio do sucesso.

Mas, se eu pudesse escolher
entre amar ou viver...
escolheria amar.

Ao meu pai; a pessoa mais apaixonada que eu já conheci nessa existência; pelo mundo, pela vida, pela família, pelas próprias paixões.

domingo, 21 de novembro de 2010

Meu Nome


Por: Gláucia Ribeiro
Olhando no Horizonte
Até vejo atrás dos montes
Onde devo chegar

O caminho é infinito
As vezes até me irrito
Chegando a soltar um grito
Grito de não!

Viajando na contramão
Levado pela corrupção
Eu não posso fraquejar

Mais quem vai aqui parar?
Sou menino, homem, gigante
más escondido atrás dos montes
Sem poder me revelar

Às vezes até apareço
Pelos cantos indefeso

Na esperança de chegar

Eu não posso fraquejar
Mais quem vai aqui parar?
Meu nome
É Brasil !

sábado, 20 de novembro de 2010

BUSCA


Por:Gláucia Ribeiro



Tudo e todos

Buscar aos melhores
e milhares

Pertences do universo
...o mundo inteiro

Más qual o sentido?

Se o fim dos seres
É a morte!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AUSÊNCIA


Oh!

Plena liberdade

De ti tenho vontade

A vontade de poder


Pois, na ausência da morte

Serei livre para viver


Conhecerei o oceano

Pelo deserto passarei

Subirei montanhas


E pelo imenso horizonte

Nos olhos de uma águia

O mundo inteiro eu verei...


...E ao consumir a vida

Depois de tudo que provei


Ora,

Tu morte tão fria

Não irá mais me vencer


Pois sei, ter a vida

Pois sei, ser possuída pela vida

Más também sei morrer!


Gláucia Ribeiro

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Carta de Buenos Aires 2010


Carta de Buenos Aires, Reunião Internacional da Casa Warat.


Buenos Aires, una noche fría a finales de octubre de 2010.


Carta literária do Encontro Anual da Casa Warat, ocorrido nos findos dias de outubro, do ano de 2010 (dois mil e dez), en “Mi Buenos Aires, tierra florida”. A reunião começou um dia após o Cabaré Macunaíma, realizado nos arredores de Maipú. Na capital argentina, o frio era marcante e o vento deixava ainda mais gélidas as noites ébrias. Na envolvente mistura de calor humano e frio porteño, ainda inebriados pela noite em Cabaré, deu-se início a reunião.

Estában Isabela, con su hermoso pelo rubio, Leilane, con sus belos ojos pintados, Mariana con su pelo rojo claro y sus 19 años, y Jaqueline, con su pelo nero, como los de Paula. Quizás era de ellas que hablava Chico Buarque quando escribió la canción “João e Maria” ("a noiva do caubói era você além das outras três…"). Ah si, estában también los chicos: Levy, con su buen humor y su abrazo colectivo, André, con su barba, sus 20 años y su sensibilidad, Eduardo, con sus rizos pero sin su sombrero porteño, Leopoldo, con el cuidado con los otros que solo él lo tiene, argentino que habla palabras que todos las compreendem. Y claro, estaba nuestro queridíssimo Luis: lleno de energia, de projectos, com sus ideas increíbles, su poder de congregar personas y de instaurar una atmosfera mágica al su rededor. Brindava a todos palavras estéticas y afectivas que, como siempre, nos encantavam y nos nutrían a todos.

O local escolhido: El Gato Viejo. No meio do improvável e do impossível, fez-se um restaurante em delírio na antigua estación de tren, no atelier de Carlos Regazzoni. Levy pede uma garrafa de vinho, quer apresentar a todos “Angelica Zapata”. Alguns preferem refrigerante, como Isa, Leilane e Mariana. Antes de chegarem os pratos, Leopoldo lança a primeira pergunta para instigar a reflexão: ¿qué nos une?

Jaqueline logo pega papel, pedacinhos de uma cartolina amarela, cheirando a tabaco, anteriormente cortados, e distribui para todos que estão na mesa, para que possam escrever suas reflexões. As respostas, que saem de forma fragmentada, complementam-se. Leopoldo lê os bilhetes escritos em espanhol, Jaqueline aqueles em português.

A resposta era polifônica, com argentinos hablando português y brasileños falando em espanhol, mas parecia ressoar uma só voz. O que nos une? La vontad de construir un mondo en donde cada uno es un encontro con los otros. Nos une la búsqueda. Pela realização livre do espírito. Pela intersubjetividade perdida na modernidade. Por uma nova sociedade, mais humana e menos castradora. Por puertas hacia nuevos mundos. Por afinar sensibilidades. Pela despinguinização dos espíritos dos estudantes e por um reconhecimento que não precisa de mitos, teorias, hermenêutica e lei para se realizar. Nos une el deseo de transformar. A crença no poder das alterações moleculares. Nos une la afectividad y la necessidad de construir un mundo diferente.

Nos une a recusa da desumanização e a esperança de mostrar que é possível viver afetivamente com os outros. Nos une a leveza das relações que se constituem como um respeitoso entre-nós. Nos une a inquietação perante o mundo e a tentativa constante para melhorá-lo e nos melhorar como seres humanos sensíveis. Nos une el interactuar entre nosostros para enriquecernos en nuestros espíritos para sermos mejores personas y brindarnos a nuestros semejantes.

Nos une a busca do entendimento de nós mesmos a partir do Outro e a busca do entendimento do Outro a partir de nós mesmos. Tomar o Outro a partir de nós mesmos. O Outro como uma extensão do Eu. A exsurgência do entre. A aurora da sensibilidade. A nascente do sensível. Nos une la tentación de unir/nos en una subjetividad que nos pertenezca para sustener/nos. No nos une el amor sinó el espanto (Borges). Nos une a vontade de um pluri-verso de significações voltadas sempre ao novo, à constante transformação. Nos une a sensibilidade, sabermos que não estamos sós, mas juntos pela construção da vida carnavalizada e repleta de sentimento de amor.

Nos une a tentativa de fazer triunfar a alegria sobre a tristeza, a pulsão de vida em um mundo em que prevalece a pulsão de morte. Nos unimos para compreender e transformar a pedagogia, enquanto momento de descobrir e redescobrir a nós mesmos e o Outro, numa perspectiva criativa, emancipatória, amorosa, erótica e transformadora. Qué nos une es el sentimiento de querer ser no un “yo” o un “otro”, sinó un “entre”. Una relación, un devir.

Pausa. O primeiro prato chegou: peru, já passado por outras mesas e bocas, temperado com cenoura, café e chocolate. Regazzoni cria as receitas de forma espontânea e plástica. Era o prato frio, depois viriam os quentes. Warat elogia o vinho. André descobre que é de uma safra de 1995. Levy e André tiram foto com o vinho, que não é tomado em taças convencionais, mas em pequenos copos de vidro. Tudo era inesperado e surrealista, como tinha de ser. Leopoldo, entonces, hace la segunda pregunta: ¿qué nos molesta?

Nos molesta el poder, el paradigma racionalista, el robo de la sensibilidad. Nos molesta o desejo pelo consumo, o fazer-se no consumo. Os micro-fascismos. A reverência a tradições vazias, a estética da forma burocrática de destruição do eu pelo enquadramento a padrões, hábitos copiados, sonhos pasteurizados, vidas vazias e o hedonismo que não transcende a forma. Nos molesta a insensibilidade, a indiferença. O sentir-se sozinho em lugares cheios. Nos molesta a pressa com que vive, sem se prestar atenção ao que se sente e ao que o outro sente. Nos molesta a repressão do espírito em todas as sua manifestações.

Nos molesta a idéia de degraus invisíveis que nos afastam – pois paramos de nos ver como iguais, como humanos. Nos molestan las divisiones, las separaciones, las etiquetas. Nos molesta la falta del deseo para perseguir una passión que nos mueva el corazón. Nos molesta o uni-verso estático e imutável, o que não tem devir. A tentativa de transformar sentimento em racionalidade, a modernização que transforma humanos em objetos homogeneos e pasteurizados.

Nos molesta uma vida sem poética, sem sonho, sem imaginação, sem criatividade. Nos molesta el egoísmo, la falta de solidariedad. Nos molesta o imperativo da razão, uma razão fria, cartesiana, que nos amputou a sensibilidade, que nos anestesiou a todos.

Segunda pausa. O segundo prato chegou: em forma de pato, vindo direto da cozinha para nossa mesa, sem escala e sem escolha. Depois veio polvo e também javali. Levy acende o charuto. André, o cachimbo. Leilane, o cigarro. Bééééhhh… Em meio à fumaça dos sonhos e à voz inebriante da mulher mais divertida e fogosa do recinto, entovam-se cantos líricos y abrazos colectivos. As luzes apagadas incendiavam delírios cabaréticos. Havia muitas cores, nas esculturas, nas paredes da sala, nos olhares trocados, nos livros espalhados, nas cidades internas.

Un despliegue de sensasiones diarios que se desdoblaran y hablaran con figuras en lenguajes del amor. Eram velas que dançavam um samba infinito, em meio à cidade do tango. Era la sensasión de estar delante un mar totalmente desconocido de colores diversos y que permite percibir una línea en el horizonte, sin que sea possible identificar su inicio y tampoco su fin. Em Buenos Aires encontrou-se esse mar. Um delírio? Sólo para los que no creen en los devenires, para los que se quedan en la racionalidad hermetica, cerrada en si misma. Sólo para aquellos que no perciben que, si no hay un “entre”, entonces están solos y nada són.

Cartografamos sentimentos, devires em meio à noite estrelada. Sensasiones fuertes y lindas, de alteridad y fraternidad. Luces, musica, danza, poesia, abrazos, besos y emoción. Reconheceram-se, desde logo, pelo olhar. Aquilo não tinha fronteiras, a amizade. Nenhuma língua ou sotaque seria capaz de impedir o entendimento, e o sentimento. O encontro puro. Sutil. O “entre” que se formou. O olhar bastava. A vontade bastava. A alegria bastava, assim como o sentimento de vida. Estava vivo. Juntaram-se a nós Inês, Glória, Marta Gama, André Coppeti, Alexandre da Rosa, Albano Pepe. Nem todos fisicamente, mas a nós se uniam pelo sentimento, presença essa que é ainda mais vivaz.

Todos formaban un grán rizoma, em que se diluem as fronteiras entre o virtual e o real. E rapidamente construíram-se idéias de esperança. Não havia censuras e o acolhimento foi completo. Reinava, soberano, o apetite de mudar, de amar, de viver. Não poderia existir construção vazia em meio tão fecundo. Naqueles papeles amarillos despejaram-se desejos comuns, que todos compartilhavam sem saber, mas que podiam intuir, sentir. Verdadeiro encontro. Revolução molecular.

A cidade ainda chovava em luto, mas a alegria reinava absoluta na Casa que construía esperança. A Casa que não tem uma casa. Não tem porque não precisa ser física. Ela é em qualquer lugar, onde se estiver, onde se quiser. En qualquer lugar donde se creea en en poder transformador de la sensibilidad. Nossa casa é movil, é nômade. Ela dança em ritmo de samba. Dança tango, flamenco y mismo la musica gitana. É uma fusão de cores, de sons, paladares e sentidos. É pura sensibilidade e está sempre aberta para quien crea en la revolución de un abrazo. De um beso. Quien así creer, entenderá (sentirá) essa Casa.

A nossa Casa é a anti-casa. O inverso do tijolo racional, do cimento solidificante, do concreto estático, da parede segregadora, do teto hermético, do chão geométrico, da porta com trancas, da janela com grades. A negação da casa cartesiana, morada da Razão, essa insustentável, estúpida e inválida habitação.

A nossa Casa é a Utopia, no sentido literal da palavra: o lugar nenhum. Ao mesmo tempo, é um eterno devir de imaginações poéticas, de possibilidades do que foi, do que nunca é e do que pode vir-a-ser. É a continuidade do eu no outro. Declaramos que o ser-em-si-e-para-si está morto. A Vida se dá no ser-com-outro, no ser-para-outro, no ser-entre. E ela não admite racionalização, solidificação, objetificação e reificação. A Casa é a nossa resposta a um mundo no qual a Vida se tornou utópica. A nossa Casa é às avessas: não somos nós quem nela moramos, mas é ela quem em nós habita.

Substitui-se o tijolo pela sensibilidade, o cimento pelo abraço, o concreto pelo beijo, a parede pela poesia, o teto pelo tato, o chão pela arte, a porta pelo outro e a janela pelo olhar. Constrói-se a casa waratiana, a casa nômade. Y que está abierta a todos los que en ella quiseren entrar.
Carta literária e patafísica, lida e passada numa noite fria, em meio a catacumbas, ao inesperado som de um piano…

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma cozinha, uma gente, um sotaque e as cores


Por Brena Aquino


Eduardo comunica:
- Vamos fazer uma moqueca!
Thuanny e Brena colocam-se à disposição.
Porém, surge uma dúvida entre Thuanny e Eduardo:
Como diferenciar peixe de escama do peixe de couro?
Dúvida sanada, vamos à moqueca e ao sarau.
O sarau é Dona Flor e seus Dois maridos.
Todos como muito empenho, chegaram à conclusão de que
muitos sabores deveriam estar presentes em comidas e bebidas.
Thuanny ausenta-se para outros preparativos, Eduardo e Brena
começam a moqueca.
Eduardo explica:
- Põe tudo na panela que no final dá certo. O que realmente importa
é o toque especial, um sútil segredo.
Mas, o toque especial não estava somente na moqueca, ele tinha acompanhantes.
As bebidas. Uma bebida verde para começar e fazer aflorar nossos instintos.
Outra amarela para aguçar os prazeres. E uma azul para despertar os
sentidos. As coloridas e belas flores colhidas por Thuanny e Nádia tornam
o ambiente extremamente aprazível.
As cores abriram o caminho para saborear, finalmente, a moqueca.
O comentário é geral:
- Existe algo nessa moqueca?
Eduardo prontamente responde que é:
- O segredinho!
A noite caminha, o sotoque baiano é inevitável, os versos e a arte cênica
permeiam o sarau.
E o segredinho coube a cada um desvendar, ao final, com um belo brinde.
Talvez seria o amor, o devaneio, o social, os amigos ou a Casa Warat.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

IX Encontro Goiano dos Estudantes de Direito.




"Pela Humanização do Direito: a emergência de novos olhares e práticas jurídicas".

12 a 15 de Novembro de 2010

Cidade de Goiás - GO



APRESENTAÇÃO
O IX Encontro Goiano dos Estudantes de Direito (EGED) é a ocasião onde os estudantes de Direito do Estado se reúnem em um espaço privilegiado de debates e discussões sobre temas contemporâneos de relevância para sua formação profissional e social, além de ser fórum de movimentação estudantil acerca da luta por uma Universidade que cumpra a sua função social. É, também, um momento oportuno de confraternização dos estudantes de Direito do Estado de Goiás.

Nessa perspectiva, entre os dias 12 e 15 de novembro de 2010, será realizado o IX EGED, o qual rediscutirá a atual compreensão de Direito para que se possa emergir um Direito efetivamente humano, próximo das necessidades apresentadas pela sociedade, marcada por desigualdades e constantes mudanças. É urgente que o Direito passe de elemento de dominação social para instrumento de emancipação, de exercício da cidadania e principalmente de realização de Justiça.

Desta forma, o evento tem por objetivo analisar assuntos recorrentes ao mundo jurídico como: propriedade, educação, execução penal, mecanismos processuais entre outros, através do olhar da alteridade, do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, enfim pela perspectiva da humanização.


PROGRAMAÇÃO

Sexta dia 12 novembro

Credenciamento – A partir das 15:00 h.

Local: Universidade Estadual de Goiás – UnU Cora Coralina.

19 h – Painel de Abertura: Educação Jurídica: “Humanizar é educar”

Painelistas: Alexandre Bernardino Costa (UnB), Carlos Rodrigues Brandão (UNICAMP).

Local: Universidade Estadual de Goiás – UnU Cora Coralina.

Festa

Local: Casa do Artesão.

Sábado, dia 13 de novembro:
9 h – Painel: O direito de ser humano e o Processo e Execução Penal.

Painelistas: Gerivaldo Neiva (juiz TJBA), Beatriz Vargas (UnB).

Local: Cine-Teatro São Joaquim.

14 h – Visita Orientada ao Museu das Bandeiras.

Local: Museu das Bandeiras

14 h às 16 h – Mesa Redonda: Educação em Direito para o Campo: A experiência da Turma Especial para Beneficiários/as da Reforma Agrária e Agricultura Tradicional Familiar / Campus da Cidade de Goiás.

Debatedores: A atividade será coordenada pela Turma Especial, 7º período de Direito UFG.

Local: Museu das Bandeiras.

19 h – Painel: Da humanização do direito de propriedade à constitucionalização do Direito Civil.

Painelistas : José Antônio Peres Gediel (UFPR), José Heder Benetti (UFPA).

Local: Universidade Estadual de Goiás – UnU Cora Coralina

23h – Festa.

Local: Casa do Artesão.

Domingo, dia 14 de novembro:

9 h – Mesa Redonda: Assessoria Jurídica Popular e Assessoria Jurídica Universitária Popular.

Facilitadores: Hugo Belarmino de Morais (Dignitatis Assessoria Técnica Popular e UFPB), CERRADO Assessoria Jurídica Popular, José Humberto Góes Jr.

14 h às 16 h – Mesa Redonda: O Direito pela Arte.

Debatedores: O momento será coordenado pelos participantes do Projeto de Extensão Casa Warat, desenvolvido no Campus da Cidade de Goiás.

Local: Museu das Bandeiras.

16 às 18 h – Mesa Redonda: O panorama atual do Movimento Estudantil e a atuação das representações estudantis de Direito.

Debatedores: Membros indicados pela Federação Nacional dos Estudantes de Direito (FENED).

Local: Museu das Bandeiras.

19 – Painel: Do estímulo/realização do contraditório às formas de resolução alternativa de conflitos: por melhores caminhos para o Direito Processual Civil.

Painelistas: Carla Patrícia Frade Nogueira Lopes (juíza TJDFT) e Flávio Buonaduce Borges (UFG/OAB-GO).

Segunda, 15 de novembro:

10h – Painel de Encerramento: Pela humanização do Direito: desafios para a realização de um Direito efetivamente humano.

Painelistas: Alexandre Costa Araújo (UnB) e José Ribas Vieira (UFRJ).

14 às 15 Entrega de Certificados

Local: Universidade Estadual de Goiás – UnU Cora Coralina.
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As inscrições podem ser feitas no Centro Acadêmico XI de Maio ou pela internet, através do site http://ixeged2010.webnode.com.br/inscrições e/ou ufgatuacao@gmail.com. O valor da inscrição é 35 reais. Contato: Laís – 62 85637212, Jordana 62 91328940, Ana Laura 62 8151 7787 e Klisman 62 99389134.

domingo, 7 de novembro de 2010

Caro Iury



Por Eduardo Rocha


Caro Iury,

Achei muito forte e interessante suas palavras de ontem à noite. Sim, é importante enfatizar a amizade, mas a solidão é imprescindível. Enquanto você expunha, veio à mente algumas passagens de um romance que certa vez li e que me marcou fortemente...

“Era um anoitecer de dezembro, estava escurecendo, e os presidiários voltavam do trabalho; preparativos para a hora da chamada: um oficial de baixa patente, bigodudo, abriu-me a porta de tão estranho lugar, para os dez anos vindouros, onde eu haveria de suportar sensações de tal tipo que se não as estivesse experimentado, diria que seria impossível enfrentar. Eu jamais poderia, por exemplo, imaginar tormento maior que não poder ficar sozinho um momento, ao menos, nos dez anos da minha sentença. No trabalho, vigiado; no presídio, com a companhia dos outros duzentos condenados; e nunca, nem uma só vez, a solidão! Contudo, tive que me acostumar.

(...)

Logo compreendi que o trabalho forçado, a privação de liberdade são coisas horríveis, mas o pior de tudo é ser obrigado a ficar o tempo inteiro com os outros, sem direito a um momento consigo próprio. A vida em comunidade é um ato de escolha, voluntário, ao passo que na prisão é imposta, não estabelece laços, e eu creio que cada prisioneiro sente isso; ainda que inconscientemente, sente isso”. ( Lembrança da Casa dos Mortos, Dostoievski)

Creio que o estar só, e aqui me remeto ao metafórico e ao literal, é parte essencial para construção da intimidade. Precisamos dessa conversar silenciosa do “eu comigo mesmo”. Não é, querido Sócrates?

Porém, é importante destacar que não há complementaridade entre o “sozinho” e o “encontro com o outro”, pois não são partes bem definidas e moldadas racionalmente, não formam um todo ideal. Quanto é falsa e cruel a ilusão romântica de complemento. Idéia marcada pela ética do guerreiro que submete, molda, estabelece condutas e elimina toda a possibilidade de encontro com o outro (Belo insight, Herinque Duran!).

O “estar só” e o “estar com o outro” entrelaçam-se em uma relação complexa, conflituosa que deve ser permeada pela ética do cuidado, da ternura. Não há limites claros, nem regras, nem condutas a serem seguidas, tão pouco o certo e o errado. Há o risco, “...os abismos, as torrentes, os desertos...”

É imprescindível falar sobre a importância da solidão em um mundo em que há a imposição do outro. Ressalto: imposição, que não se confunde com “encontro”. Na sociedade do consumo, o “outro” é uma exigência de mercado, é produto moldado e idealizado, que deve ser devorado por meio de relações fetichizadas, reificadas.

Warat versa sobre a importância de ser escutado. Talvez seja o momento de reivindicarmos o direito à solidão, dimensão indispensável da escuta waratiana ou da ternura de Restrepo.

Caro Iury, saiba que tem em mim alguém que lhe entende em sua reivindicação de ficar só. Somos companheiros na solidão...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Círculo


Por Mariana Teresa

(Impressões sobre o II Encontro Anual do Movimento Casa Warat, outubro de 2010)
Fonte:http://desquadriculando.blogspot.com/

Chegou com medo de voar e uma curiosidade que já considerada nata. Sentia-se segura, porém, já que tinha mãos para segurar nos momentos de turbulências quaisquer. Era tudo lindo, e com óculos de turista viu a cidade que chorava em luto. Tentou capturar todos os momentos com fotografias invisíveis que eram registradas na eterna lembrança. Era colorida. Azul, amarela, branca, rosa... Tinha cheiro, cheiro de boas vindas, de revelação. Estava viva.

Ao conhecê-lo, sua timidez era tamanha que balbuciou poucas palavras. Foi assim pelos dias que se passaram. Reconheceram-se, porém, pelo olhar. Os que entornavam eram de uma lealdade infindável. Aquilo não tinha fronteiras, a amizade. Nenhuma língua ou sotaque foi capaz de impedir o entendimento. O olhar bastava. A vontade bastava. A alegria bastava, assim como o sentimento de vida. Estava vivo.

O companheirismo mostrou-se logo e rapidamente construíram-se as ideias da esperança. Não havia censuras e o acolhimento foi completo. Entenderam-se os dizeres, por ora tácitos, pois a comunhão era real. Reinava, soberano, o apetite de mudar, de amar, de viver. Não existe construção vazia em meio tão fecundo. Em papéis coloridos despejaram-se os desejos, em jornais, as lembranças. Muita cor, nas paredes da sala, nos olhares trocados, nos livros espalhados, nas cidades internas. Estavam vivos.

Toda a vida foi pintada nos poemas, nas músicas, na dança, nos abraços e em beijos de cabarés.

Acostumou-se cedo demais, e num piscar de olhos, viu-se de malas prontas. Não era mais a mesma. Despediu-se silenciosamente das cores que lhe marcaram. Silente, viu-se cheia de nós. Nós que nos ligam das diferentes partes desse mundo. Chegou repleta de fios invisíveis, todos agora estendidos. A esperança completava a saudade. Queria dançar o tango que não vira, escorrendo de paixão, harmonia e vida. Estava cheia e sentia, feliz.


Pariendo utopías - Alejandro Costas

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pinceladas del encuentro anual Waratiano


Por Leopoldo Fidyka
Fonte: http://rebnat.blogspot.com/

Crónica abierta del encuentro de la casa nómade


Notas de un diario por demás incompleto...


Martes: Rizoma de Tarde. Llego y Luis me presenta la primera invitada, encuentro, reconocimiento, sonrisas, se diluye la frontera entre lo virtual y lo real. Warat habla, escuchamos, diálogamos, a la hora de comer: empanadas de viento. Más tarde, estación de café con Lei, La Farola brilla, coincidimos: quien crea en la revolución de un abrazo entenderá (sentirá) la Casa.

Miércoles: Día atípico por demás, todo cerrado, censo nacional. De repente la noticia de Néstor nos deja duros, sin palabras, congoja, dolor colectivo, pero el reconocimiento y agradecimiento hacia él comienza a expresarse en multitudes y le gana la batalla a las sombras. Levy, Mariana y André entran en escena, caminata nocturna, dolor, respeto, silencio.

Jueves: Llega Jaqueline. Almuerzo en los patios de un monasterio de 1745. Es Santa Catalina de Siena, primer claustro para mujeres de la ciudad de Buenos Aires, arquitectura colonial, monumento Histórico Nacional.
Tarde de preparativos, papeles amarillos, despliegue de libros, todo listo para el viernes.
Cena diferente e inesperada en el atelier. Trenes, escultura, olor a comida, canto lírico y beeeeeee.

Viernes: Cielo plomizo, gris y lluvia, el cielo llora, día del cortejo fúnebre.
Apertura oficial del encuentro: Andamios, que nos une? Que nos incomoda? Que nos gustaría hacer juntos?
Segundo momento: Llegan las chicas, Sexo No harte. Despliegue de sensaciones diarios que se desdoblan y hablan con figuras en lenguajes del amor. Campana con velas, coordinación de equipo y pasión por el proyecto, se sintió, se entendió, compartimos, construimos. Gracias por estar.
Más tarde en un Cuartito se escuchó un canto de corazón: ¡parabens a voce!


Sábado: Día de aniversario. Catacumba en Puerto Madero: Gregorio nos llevó por los caminos de la salud, esquiso, política y educación. Isa se suma, se integra, es una más muy rapidamente. El atardecer parece de invierno.
Noche de Cabaret Macunaíma: Muchos amigos, Warat pleno. sensaciones fuertes y lindas. Luces, música, danza, poesía, abrazos, besos y emoción. Parabens fuerte. Delirio. Es cierto, el cabaret es para ser vivido, y no para ser relatado, punto.


Domingo: Palermo se muestra de día, con sus ropas, pastas y jazz callejero. Eros nos recibe. Llega la tarde en la casa, té y café con la calidez de Inés, momento de cierre y aperturas, redes que se tejen, presente y futuro, somos distintos, evaluación con emoción. Invisibles que se sienten. La TV anuncia que Dilma es presidenta. Brindis. Despedidas? Hace mucho comprendí que no existen. Abrazo colectivo, los quiero!

Quarto Sarau Mentes Livres


Por: Nádia Pinheiro

Atenção
Waratianos!
Depois de muita espera, finalmente foram decididos a data e local do nosso Quarto Sarau Mentes Livres. Para quem não sabe, o Sarau é onde podemos expressar livremente nossas idéias, discutirmos todos os assuntos que foram tratados em outras frentes da Casa Warat e onde o lúdico se encontra com o Direito, fazendo uma combinação extraordiária!

Essa quarta edição terá como tema o livro "Dona Flor e Seus Dois Maridos", que foi lido ainda durante o mês de julho, e o filme foi exibido no Cinefilia. Por abordar a temática alegre da Bahia, nosso Sarau contará com comidas típicas baianas, bebidas de vários tipos e pra todos os gostos, além de muitas surpresas! Outra novidade é que no mesmo dia será inaugurado o "CABARÉ WARAT: Surrealismo Culinário & Poesia Gastronômica", onde, segundo nosso amigo Eduardo, é "Um espaço culinário aberto apenas para convidados e curiosos insistentes, em que se inventa a receita na hora, realiza-se sem frequência pré-determinada e é nômade...".

Todos serão muito bem-vindos, contando que venham abertos para todo tipo de discussão e tragam colaborações (seja um texto feito durante a madrugada ou uma bebida legal que saiba fazer).
Então, coloque sua roupa mais leve, seguindo o estilo baiano, deixe sua Mente Livre e se aconchegue!

Data:
06/11
Horário:
19h
Local: Casa do Paulo (pra quem não sabe onde fica, aí vai o endereço: Rua Altino Lôbo, n°: 4, Bairro João Francisco)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Rino", sempre "Rino": agora o Brasão


Por Paulo Dante

Rino, o Rinoceronte excitado símbolo da Casa Warat Goiás, agora em Brasão.

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